ISSN 1807-1783                atualizado em 13 de julho de 2010   


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Manteiga inglesa, bacalhau português,..... Os produtos importados e seu consumo em Belém na 2ª metade do XIX. (Parte 1)

por Sidiana Ferreira

Sobre a autora[1]

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De início, os fatores favoráveis à importação.

Determinados artigos de consumo constituem e simbolizam poder e luxo, sendo fatores de distinção de seus consumidores do restante da população, entre eles os produtos importados, ainda que alguns destes fossem de grande necessidade, como o trigo e o sal, sendo assim consumidos mais largamente. Já as frutas, vinhos e outros de consumo mais restritos ou não essenciais eram tidos de luxo. A importação de produtos, por sua vez, ligava-se à posição de “cidade-mundo” que Belém passou a exercer, em parte pelas relações comerciais com outras províncias brasileiras e especialmente com o estrangeiro.[2] Ou seja, embora o comércio regional fosse base propulsora da economia paraense, o negócio de importados tinha sua importância com as mudanças nos hábitos e padrões alimentares intensificadas no período áureo da borracha, a partir da segunda metade do século XIX.[3]

É verdade que, Cristiana Couto já havia enfatizado que, desde 1808, com a chegada da família real portuguesa no Brasil, a partir do Rio de Janeiro, a nova Corte, se iniciou no país a busca de uma nova civilidade aos moldes europeus. Sendo um dos aspectos desejados de enquadramento nos padrões civilizatórios europeus justamente a alimentação, já que: “como parte integrante das observações sobre a cultura de um povo, os hábitos alimentares dos brasileiros inserem-se também neste contexto de civilização”.[4] Ou seja, o refinamento da alimentação ligava-se diretamente ao dito processo civilizatório posto para um país que procurava ingressar no seleto clube de países ditos civilizados.[5]

O Rio de Janeiro, na visão dos viajantes Spix e Martius, era avaliado com certo grau de civilidade pela presença de alimentos importados.[6] A idéia também cabe à Belém, aquando da primeira metade do século XIX, já que nesta havia igualmente a entrada de produtos europeus e americanos, sendo o comércio local abastecido tanto por produtos nativos, quanto importados. Na segunda metade do XIX, não haveria de ser diferente, muito pelo contrário, quando na época da economia da borracha houve, inclusive, o surgimento de fábricas ligadas aos setores de bebidas e alimentos. Em 1862, Belém contava com as seguintes fábricas: 01 de vinho de caju; 01 de chocolate;[7] 03 de beneficiamento de arroz e 01 de café. [8] Na última década do século XIX, segundo Sarges surgiram 25 fábricas, entre elas a Palmeira (1892) que fabricava biscoitos, pão e caramelos; a fábrica de cerveja Paraense em 1905 e uma de licor em 1906.[9]

Outro fator que beneficiou o comércio de importados foi a introdução da navegação a vapor em 1853, que diminuiu consideravelmente as distâncias e aumentou as oportunidades do próprio comércio de grande e médio de longa distância. Sobre a importância da navegação a vapor, Ernesto Cruz salientou o diagnóstico de Joaquim Raimundo de Lamare, presidente provincial do Pará em fins da década de 1860. Lamare diz o seguinte:

“Até essa época (1853) todo o tráfico de gêneros do comércio era morosamente feito em canoas, que raras vezes realizavam uma viagem redonda, de Belém a Manaus, em menos de 5 meses, viagem que hoje se efetua em 13 a 15 dias, quando muito, compreendidos os 5 dias de demora em Manaus e nos dez portos intermediários.

Os fretes que eram caros nos barcos à vela, sendo calculados de acôrdo com os comerciantes carregadores para a navegação a vapor, ficaram muito reduzidos: as distâncias quasi desapareceram; as comunicações tornaram-se mais ativas (...) e o vale do Amazônas viu enfim, entrar por suas portas a riqueza, a prosperidade e a civilização, há tantos séculos esperada”.[10]

Embora não desaparecendo canoas e batelões, a navegação a vapor inaugurou novas oportunidades para o comércio e para a entrada em maior escala de produtos importados. Afinal, com a redução do tempo de viagem passaram a circular nas praças comerciais novos produtos que antes não podiam, já que tinham uma deterioração mais rápida. Juntando-se à navegação a vapor, houve a abertura do Rio Amazonas à navegação estrangeira em 7 de setembro de 1867, medidas que vão abrir as portas para os novos padrões e costumes alimentícios muitas vezes importados da Europa.

Franco em seu livro acerca da civilização material no Brasil diz que a civilização só podia chegar nessas paragens através dos rios, sendo “evidente que o progresso na Amazônia e o intercâmbio interno do centro do Brasil com o norte dependiam da franquia fluvial”.[11] Não só o comércio interno carecia do transporte fluvial, também pelos rios o comércio internacional fazia-se Amazônia adentro. Tanto que o primeiro navio a vapor a chegar a Belém, em 1826, era dos Estados Unidos, o Amazon, mas, o governo provincial não permitia na época o tráfego aberto a outros países.

Não havendo problemas com o transporte das mercadorias, logo fica a questão: quem eram os consumidores destes produtos importados? A alimentação com produtos importados era consumida por parte da população, sendo que as novidades chegavam a uma parcela da sociedade, pois, assim como havia os que podiam comprar o azeite doce, o vinho, o bacalhau e as massas finas, por exemplo, outras pessoas em alguns momentos sentiam dificuldade em comprar até mesmo os produtos locais. Nesse sentido, Sarges ressalta que:

“(...) tornou-se por hábito das elites paraenses consumirem (...) uma gama de produtos importados da Europa e dos Estados Unidos (...). Importavam-se biscoitos e champanha Franceses, vinagre português, azeitonas portuguesas, vinhos portugueses, franceses e espanhóis, manteiga inglesa, sabão americano e até chá de Pequim e uma série de produtos considerados supérfluos numa cidade em que a maior parte da população não podia sequer comprar o peixe da região”.[12]

Não se deve pensar, no entanto, que o grupo consumidor de produtos importados em Belém era só da classe dos que tinham poder e riqueza, como os barões da borracha, comerciantes e proprietários de bens em termos significativos. Ou seja, pessoas que tinham dinheiro e que podiam ostentar seu status comprando produtos refinados e caros e que, portanto, não fazia parte do trivial, tornando-os consumidores diferenciados dos demais, formando uma classe dos que podiam ter uma mesa requintada e moldada nos padrões de refinamento.[13] Em Belém também havia pessoas das camadas médias urbanas que podiam consumir gêneros refinados, como funcionários públicos e profissionais liberais, que consumindo produtos importados se reconheciam como parte de um determinado grupo seleto.[14]

Também existiam grupos sociais que apesar de não oriundos das classes abastadas tinham acesso a certos produtos tidos como apurados. Em março de 1851, na lista de produtos arrematados para a escola dos educandos constava chá, vinagre de Lisboa e o azeite doce.[15] Assim, os educandos tinham a oportunidade de degustar certos produtos já que o governo pagava tais custos, mas não se vê outros produtos como frutas importadas ou mesmo a manteiga, pois se comprava o que era mais necessário à alimentação. Obviamente, a maior parte da população não consumia tais produtos.

O que dizer ainda das pessoas que moravam nos subúrbios de Belém, já que muitas vezes não tinham condições de ir ao mercado diariamente comprar seus alimentos. Em 1866 essa era a realidade de muitas famílias que, para suprir a falta dos gêneros frescos, acabavam recorrendo ao peixe salgado, à carne salgada ou seca exposta em vários lugares nos subúrbios. Se de fato eles não tinham condições de ir ao mercado comprar o trivial, dado sua pobreza, muito menos poderiam ser abastecidos com os produtos importados.[16]

Wallace quando de sua viagem comentou sobre a alimentação como algo a partir do qual seria possível entender as “diferenciações existentes entre formas de consumo pertencentes a grupos sociais diferentes”. Sendo “(...) plausível que as diferenças expostas entre os mencionados grupos [“população branca” e “índios e negros”] relativas aos seus padrões alimentares, estavam ligadas a culturas de consumo distintas”. [17] Acredito que, já na segunda metade do século XIX, a economia da borracha foi importante condição para a cultura de consumo diferenciada reinante na Amazônia, visto que gerava entre aqueles que tinham o poder de compra novos padrões de consumo. Sendo perceptível que, na década de 50, os jornais estampassem anúncios de produtos estrangeiros em quantidade bem inferior àqueles publicados nas décadas seguintes, o que demonstra que os anos de maior crescimento da economia da borracha aumentaram o poder de compra de parte da sociedade.

Enfim, é possível pensar os costumes ligados a uma estrutura de classes em face dos seus hábitos alimentares, tal como aponta o conceito de Habitus de Bourdieu,[18] cuja importância cabe para a alimentação, já que ele parte da cultura para as representações dos indivíduos e suas práticas. Ou seja, existiam pessoas que se adequavam aos padrões em voga, pois refletiam poder, ostentação e status. Poder comer frutas importadas, consumir vinho de Bourdex ou qualquer outro produto caro pode ser tomado como exemplos que refletiam mais do que ter dinheiro, mas um símbolo de poder social; ou seja, comeria presunto português quem teria poder econômico e hábitos mais refinados, os outros se satisfariam com a farinha e uma posta de peixe seco.

Quando falo em produtos importados caros e, portanto, não consumíveis por grande parte da população, me refiro aos queijos, carne, bolachas, legumes, chá, champagne, frutas como castanhas portuguesas, amêndoas e passas, as quais eram inclusive oferecidas como presente em datas festivas. Embora, seja verdade que nem todos os produtos importados eram supérfluos. Ao contrário, havia os que abasteciam o consumo mais básico, como o trigo. Na região amazônica não havia a produção de trigo, então cabia ao estrangeiro o seu fornecimento tão necessário ao comércio nas padarias, restaurantes e afins ou mesmo nas casas para elaboração de bolos, pratos etc. O sal também era produto importado de necessidade básica, devido seu uso nas casas como tempero da comida e conservação dos alimentos, como nas indústrias de salgamento de carnes.

Nesse contexto de refinamento de hábitos alimentares não faltou quem almejasse conseguir seu espaço na preferência de seus fregueses. Assim, para além do consumo de produtos importados, houve a produção e oferta de produtos locais que também disputavam a condição de bom gosto, como foi o caso dos biscoitos da Fábrica Palmeira que num catalogo de propaganda exaltava seus artigos, que tinham pelo menos no nome e em seus ingredientes a idéia de refinados:

“Albert: levemente adocicado e próprio para chá; Almond Nut: acentuado e agradável paladar de amêndoas; Cream Cracker: de massa folhada e paladar muito agradável; Five o’Clock Tea: levemente doce. Delicioso e grandemente apreciado; Ginger Nut: pronunciado e excellente paladar de Gengibre; Jam Sponge: esponjosa e deliciosa massa de ovos; Limon Nut: agradavel, com fino sabor de limão; Petit Beure: é mesmo uma manteiguinha. De apurado e finíssimo paladar, é um biscoito muito apreciado; Sugar Waters: uma verdadeira maravilha. Estes saborosos biscoitos, grandemente apreciados com sorvetes, constituem uma de nossas especialidades; Sandwich: uma pareciada creação de nossa fábrica; Table: é outro biscoito preferido pelas creanças”.[19]

A fábrica Palmeira tinha uma gama sortida de biscoitos referendados em hábitos e costumes mais refinados, havendo inclusive biscoito lembrando o costume dos ingleses do chá das cinco, pois tinha o nome de “Five o’Clock Tea” (Chá das Cinco). Tais biscoitos, enfim, eram descritos com adjetivos ressaltando seu aprimoramento e qualidade como “levemente adocicado, agradável, excellente paladar finíssimo e uma verdadeira maravilha”.[20] Isto porque tais produtos atendiam a um público com certo poder aquisitivo, havendo, no entanto, na mesma fábrica, a produção de biscoitos para atender fregueses menos exigentes e com menos dinheiro. Entre tais biscoitos havia o “popular”, segundo o catálogo “preferido pela sua qualidade e módico preço”, e ainda o “popular moreno” que era “de preço popular e agradavel paladar de chocolate”.[21]

Nesse sentido, alguns produtores locais faziam frente ao comércio de importados incrementando seus produtos, visando atender as exigências dos mais acurados paladares. Mas, ao falar em consumo dos produtos importados deve-se abrir uma análise dos valores de importação e exportação ao longo da segunda metade do século XIX, período em que houve o crescimento em larga escala da economia da borracha.

Como parte da crescente importação de produtos estrangeiros durante a economia da borracha, os valores de impostos sobre os produtos importados aumentaram as rendas geradas pelo seu comércio. Ou seja, com a economia da borracha atrelada ao crescimento econômico que o Pará e conseqüentemente a cidade de Belém passaram a vivenciar, houve o aumento de rendas, entre elas a de importação e, portanto, o aumento de rendas associadas ao comércio de importação era indicativo de um volume maior de produtos do estrangeiro importados.[22] Por exemplo, em 1876 foi despachado para consumo em Belém um total de 7:451.875$087 réis em mercadorias importadas.[23] Aliás, em alguns anos posteriores a 1869/70, os valores arrecadados com impostos sobre a importação são bem mais expressivos do que os com a exportação.[24]

Observe-se que, à medida que a economia da borracha estava em franca expansão os valores da importação sobre exportação eram bem mais significativos. Desde 1869/70 até 1884/85 os valores de importação são maiores sobre a exportação. Em alguns anos a diferença é bem significativa como em 1870/71 quando a importação foi de 3: 585.660$359 sobre 1: 082.492$500 de exportação e no ano entre 1874/75 quando a importação foi de 2:000.669$971 sobre a exportação de apenas 963:270$214.

É bom lembrar que nestes anos a borracha ocupava o principal lugar na pauta de exportação, então se pode supor que os produtos alimentícios exportáveis estavam saindo em menor escala. Além do mais a importação não girava apenas em torno de produtos voltados para a alimentação, ao contrário, diversos tipos de produtos chegavam à capital dos países estrangeiros, como produtos de perfumaria, vestuário entre outros. Assim se pelas tabelas é possível pensar que nos anos de crescimento da economia gomifera em diversos momentos os valores de importação estavam maiores que os de exportação, tal situação ressalta que a possibilidade de poder de compra com a ascensão da borracha estava maior.

De fato, a cidade de Belém com seu porto cosmopolita mantinha relações comerciais com as mais diversas nações. Eram comuns os navios de bandeira inglesa, americana, portuguesa, francesa e holandesa, havendo ainda embarcações hanoverianas, dinamarquesas, russas, prussianas, hamburguesas e suecas, por exemplo. Destes o comércio era mais forte com os ingleses, americanos, portugueses e franceses. Entre 1855 e 1859 entraram 423 navios com 105.915 toneladas da Grã-Bretanha, Bélgica, cidades hanseáticas, França, Espanha, Portugal, Estados-Unidos, portos ingleses na África, portos portugueses na África, portos franceses na América e portos do Brasil.[25] É adequado observar que a presença significativa de navios estrangeiros já existia desde a 1ª metade do século XIX.

Gráfico 1: Origem das embarcações que traziam mercadorias para a Capital entre 1850-1883.

Fonte: Relatório do Presidente de Província Visconde de Maracajú, em 24 de junho de 1884. Pará: Typ. de Francisco da Costa Junior, 1884, p. 27 e 28.

Pelo Gráfico acima, o comércio com Inglaterra superava todos os outros num total de 313 embarcações, seguida dos Estados Unidos com 186, em terceiro a França com 120 e por fim os portugueses com 101. O comércio com a Inglaterra já existia na 1ª metade do século XIX, datando, por exemplo, dessa época a residência de comerciantes ingleses em Belém.[26] Como parte desse comércio, importava-se da Inglaterra muita manteiga, cerveja, queijos londrinos e outros. Já o número de embarcações com os Estados Unidos fazia-se em escala significativa tanto para a importação quanto para exportação. Eram comuns os manifestos de entrada de navios americanos no porto trazendo mercadoria. Importava-se farinha de trigo e outras vezes sal, além de outras miudezas. No caso do número de embarcações francesas, 120, ocupando o terceiro lugar, os dados mostram que apesar da França de sido o ideal de urbanização e civilidade que se almejava para Belém em determinados momentos, o número de navios era menor; todavia, da França importava-se de tudo um pouco: da champagne aos biscoitos, havendo um comércio bem variado.

Os navios traziam diversos produtos alimentares, muitos deles já consignados aos comerciantes da praça. Assim, por exemplo, havia na carga do vapor inglês ‘Cearense’ vindo da Europa: vinhos, sal, cerveja, arroz, azeite doce, bacalhau, vinagre macarrão entre outros. Tais produtos alimentícios vinham juntamente com outros produtos como fazendas, sabão, ferragens, chapéus, obras de madeira, papel, camisas, couros, tecidos, vidros, obras de folha de flandres entre outros.[27] Vê-se, então, no decorrer do século XIX um aumento desses produtos importados e conseqüentemente do seu consumo, sendo incluídos nos lares e hábitos das famílias paraenses que tinham condições para tal, embora esses produtos importados em maior escala não tenham no conjunto das práticas alimentares substituído por completo os produtos regionais.

Da manteiga Inglesa ao bacalhau Português: os produtos importados em Belém.

Na capital, o consumo era variado quanto à origem dos produtos, pois, havia lugar para os produtos regionais, de outras províncias e de outros países. Assim dos 16 anúncios datados de 1852 publicados no jornal Monarchista Paraense ofertando produtos alimentícios, em seis deles (37,5%) há produtos estrangeiros. A diferença, no entanto, não se fazia só na quantidade, mas na natureza dos produtos. Os produtos estrangeiros atendiam a um padrão como os chás, vinhos, cerveja, bacalhau entre outros. Estes são alguns dos produtos importados consumidos em Belém na segunda metade do século XIX, além da manteiga inglesa, o bacalhau, os chouriços, o vinho do porto a cerveja preta ou cerveja branca. Na taberna diante do Sr. Braga (barateiro), por exemplo, havia à venda Chá Hycson que tinha seu público, pois, é possível vê-lo anunciado com certa freqüência. Além dele, havia ainda vinho branco e tinto, o último de Lisboa; as massas finas como talharim e macarrão, que compunham itens mais refinados; a manteiga, que não era só inglesa, mas também francesa; chouriços; cerveja; presuntos e frutas como passa, ameixas e caixas de figo. Em outra taberna, em frente da botica de Augusto Marcolino Farias, havia vinho de Lisboa, talharim, manteiga inglesa, macarrão e frutas como passas, nozes e ameixas. No estabelecimento de Fulgêncio Jozé Pinto era possível comprar sardinhas em latas e azeitonas. [28]

Segundo informações constantes nos relatórios da presidência da província paraense, nos anos finais da década de 1850,[29] na importação direta destacava-se a farinha de trigo com 206.815.376 réis; sal com 106.397.700 réis; manteiga com 81.554.847 réis; vinhos com 46.131.042 réis e, em quinto lugar, com 43.021.058 as bebidas espirituosas. Na cabotagem, os cinco maiores valores em réis eram de vinhos; manteiga; farinha de trigo; bacalhau, outros peixes e carnes. Através desses dados nota-se que havia um padrão de alimentos importados em Belém. No geral, os alimentos consumidos giravam em torno de produtos que não estavam no dia-a-dia de grande parte da população, mas que podiam ser degustados de acordo com os padrões a partir dos marcadores sociais de classe, gênero e origem. A falta deles não causaria crise de fome, até porque não houve substituição dos produtos regionais pelos importados.

Parte dos produtos importados era muitas vezes consumida em festas ou momentos importantes e por isso não tinha consumo cotidiano. Entre eles as nozes, as castanhas, as geléias, as passas e os figos. Ou ainda, havia a importação de certos produtos pela sua origem, ou seja, muitas das famílias que tinham condições e podiam comprar os produtos estrangeiros eram portuguesas, espanholas ou descendentes que mandavam buscar produtos de suas terras. Para o período estudado, os portugueses “dominavam” o comércio no Pará. Eram proprietário de lojas, tabernas, vapores e ainda mercearias. Coelho enfatiza a presença dos portugueses no comércio local, em especial na fase crescente do extrativismo da borracha, a partir da década de 50, já que:

“A borracha, sabe-se, se constitui um dos pólos mais expressivos da economia brasileira ao longo da segunda metade do século XIX, observando-se, em função das exigências da cadeia produtiva do látex, um elevado crescimento no setor comercial em Belém, setor historicamente marcado pela ascendência portuguesa”.[30]

Coelho salienta que, na década de 1870, cerca de 30% da população de Belém era constituída por portugueses. Assim, com número de portugueses significativo entende-se a importação expressiva de produtos lusitanos como bacalhau, castanhas, nozes, vinho e outros para atender as exigências dos que em Belém fixavam residência, sem perder de vista suas raízes, ainda mais que para certos produtos não havia similares na região como o bacalhau, as castanhas portuguesas, passas ou ameixas, por exemplo. Em anúncio da Mercearia Amazônia no canto da Travessa das Mercês havia variada oferta nesse sentido: “Recebeu para as festas de natal, castanhas, nozes, amêndoas, figos, passas, queijos flamengos e londrinos, e magnífica geléia de cereja, morango, groselha, framboesa, marmello, etc...”. Ofertando ainda “cerejas e morangos em cauda e magníficos xaropes de groselha, próprios para refrescos, vinhos de Bourgonhe de primeira qualidade e com 4 anos chegados ao Pará”; assim como, “Whiskey americano de melhor marca, sardinhas magníficas em azeite e tomate e outros tantos artigos de qualidade superior”.[31]

É válido pensar, por sua vez, que o padrão de consumo de produtos importados iam além de se querer alcançar os requintes e bons modos europeus pelos simples fato de usufruí-los, era também retrato de certo luxo, já que para muitos era desfrutado nas datas festivas e/ou comemorativas de formas esporádicas e não no cotidiano. Em 1884, o Visconde de Maracajú exemplifica o que estou expondo, quando tratou da importação de frutas, especialmente as conservadas, que não eram parte dos gêneros ditos de necessidade para a alimentação. Argumentara então que, em seu relatório, ao fazer o balancete dos principais produtos nas pautas comercias da província, no que dizia respeito às frutas conservadas achara “ocioso fallar das fructas conservadas que não constituindo o principal alimento, não merecem fixar attenção dos poderes públicos”.[32]

Enfim, quais os produtos que compunham o padrão de consumo alimentício de importados na capital? Começo tomando como referência produto que sempre estava nas pautas comerciais dos importados e com valores elevados, o trigo. Pois bem, o valor importado de trigo entre 1857/58 foi de 215:303.098 réis. Nesses anos, em 1856 chegara a Belém 80 barricas com farinha de trigo no Brigue Português Tarujo;[33] já no mês de janeiro de 1869 viera de New York 216 barricas de farinha de trigo.[34] Por muito tempo, é verdade, a falta da farinha era suprida pela mandioca, como já dizia Debret: “O emprego generalizado da farinha de mandioca em lugar da farinha de trigo fazia da profissão de padeiro uma indústria de luxo no Brasil (...)”.[35] No entanto, a partir da melhoria nos transportes de longo curso, com a introdução do navio a vapor, ficou mais fácil a importação do trigo e cada vez mais era este consumido em Belém e interiores. Bates observou que em Belém, em 1859, a “farinha de mandioca, o pão da região, era tão escassa, tão cara e tão ruim que as classes mais pobres de naturais passavam fome. E fomos obrigados a comer pão de trigo, feito de farinha americana (...)”.[36] Pelo seu comentário se vê que a farinha de trigo americana era uma das que figuravam no cenário gastronômico da região.

Dos produtos estrangeiros, a farinha de trigo era um dos mais importantes, não sendo produto de luxo, pois, além da substituição da mandioca quando necessário, o trigo era essencial para a indústria local, pois, somente em Belém, em 1870, havia 40 padarias e um dono de confeitaria que pagavam impostos.[37] Ou seja, havia número significativo de padarias que justificava as somas elevadas de trigo que aportavam na cidade. Mas, em 1859, no jornal A Epocha tem-se o seguinte anúncio “Na padaria da rua S. Vicente continua à vender-se o seguinte: Farinha de milho a 120 rs. E pão de dito ao sahir do forno depois das 10 horas”. [38] Além da farinha de trigo, portanto, utilizava-se a farinha de milho, mas em menor escala e em parte fornecida por alguns interiores que tinham a cultura de milho. A preferência era pela da farinha de trigo, como deixa dito Wallace, quando de sua estada em Belém: “O pão é feito de farinha de trigo importada dos Estados Unidos”.[39]

Outro produto de primeiríssima necessidade era o sal, já que a necessidade de salgar os alimentos era para muitos a garantia da sua alimentação. Ele também servia como tempero básico dos alimentos. Bates quando esteve no rio Cupari, no Pará, fez o seguinte comentário sobre como os caboclos comiam os ovos de iguana: “Os homens comiam-nos crus, misturados com farinha e uma pitada se sal”.[40] Segundo o jornal a Epocha, em 1858, chegara no brigue português Feliz Ventura 107 moios[41] de sal e no armazém de Costa Batalha e Ca. se tinha sal português pelo preço de 800 rs. cada alqueire.[42] Em 1856, 141 moios de sal vindos de Lisboa no brigue Tarujo viera para o Sr. Joaquim Roberto da Silva.[43] Em 1868, Manoel Joaquim de Faria vendia sal a bordo de sua embarcação.[44] Em 30 de junho de 1874, o capitão do patacho alemão Reil, vindo de Setúbal, deu entrada em Belém com carregamento de sal.[45] Embora não houvesse produção de sal em Belém, seu comércio era significativo, tanto que em 1870 havia na cidade dois depósitos para armazenar sal e ainda dois mercadores que faziam a sua venda, demonstrando que a sua importação era bem importante.[46]

Outro produto vindo do estrangeiro era a manteiga. Em 1869, no vapor inglez Augustine, de Liverpool, vieram 23 barris de manteiga. A manteiga era um dos itens mais vistos nos leilões de venda em Belém, sendo a de origem inglesa uma das preferidas. A manteiga no geral tinha duas origens: ou era inglesa ou francesa, havendo predomínio maior da primeira. O agente Carvalho, em 12 de maio de 1858, anunciou leilão no armazém de Francisco Joaquim Pereira & Ca. de uma partida de superior manteiga inglesa vinda no navio Shark;[47] no mesmo ano, em casa de Antonio Pereira Macedo, em 18 de maio, houve leilão de uma partida de barris de manteiga francesa.[48] No Diário de Belém de 1868, ela também aparecia nos anúncios de 22 e 25 de agosto de 1868 do agente Almeida que faria “leilão em seu armazém,... uma partida de barris com manteiga ingleza”; ou ainda de Lima e Calheiros que fariam “leilão em seu armazém... d’um variado sortimento de gêneros d’estiva, uma partida de barris com manteiga ingleza”.[49] Em 16 de janeiro de 1869, no navio inglês Augustine viream 23 barris com manteiga.[50] Em fins do século, em 1891, no Diário de Noticias havia diversos anúncios de leilões de manteiga, tal como no armazém de Martins Pintos & Alves que vendia manteiga Bretel, também vendida no armazém de M. M. Nogueira & Ca.[51]

A manteiga desde a primeira metade do século XIX já era encontrada no mercado de Belém. Constituía um artigo de luxo e fazia frente à manteiga de tartaruga. Não só em Belém, mas em todo Pará havia o consumo da manteiga importada. Em 1859, nos arredores de Óbidos, Avé-Lallemant observou que: “Come-se cada vez menos essa manteiga de tartaruga, de preferência usada como óleo para iluminação, importando-se manteiga da Europa”.[52] Ainda em Óbidos, em 1849, Bates ao se referir ao café servido na casa de um proprietário de condição abastada salientou que: “Depois de tomar café com broa quente e manteiga, vestiu-se e foi a missa (...)”.[53] Se para Óbidos já era assim, para Belém a importância e consumo da manteiga importada era mais comum. Pois, a partir de Belém os novos padrões eram propalados. Sobre o uso da manteiga na cidade, Wallace diz: “A população branca da cidade geralmente faz uso de manteiga, irlandesa ou americana, e outros produtos importados do estrangeiro”.[54] Wallace ao falar da população branca que geralmente fazia uso da manteiga, sugere, portanto, que não era toda a população que a consumia.

Os vinhos eram diversos e vinham de vários lugares como Lisboa, Porto e Bordeaux. Apenas para atender Joaquim Roberto da Silva o brigue português chegado em Belém em 1º de janeiro de 1856 trouxera 325 barris com vinho e vinagre.[55] Entre os anos de 1857-58 foram importados cerca de 63.042.882 réis em vinho; em 1869 o brigue Português Ligeiro, de Lisboa, trouxe quantidade significativa do produto: 31 ½ pipas, 314 barris, 50 ancoretas e 25 caixas de vinho já consignados a diversos comércios. Pela quantidade se nota que ser produto bastante degustado e consumido em Belém. Em 1858, na casa de Antonio Pereira Macedo também se oferecia vinho tinto aos seus fregueses.[56]

No gênero das bebidas de teor alcoólico, as cervejas tinham aceitação não só na capital do Pará, mas ao longo do Brasil. Exemplo disto era a cerveja inglesa vinda no vapor Augustine, de Liverpool, em 1869, somando 20 caixas e 20 barricas. Em 1858, na casa do Sr. Antonio Pereira Macedo havia cerveja marca India para leilão.[57] Aliás, segundo Soares, fábricas de origem alemã e inglesa desse produto foram instaladas no Brasil, já que a “cerveja ganhava a preferência do brasileiro comum e tornava-se cada vez mais popular”.[58] No entanto, não posso dizer ainda a partir de quando no Pará essa bebida tornou-se de pessoas comuns, o que posso dizer é que no brigue Ligeiro vieram 25 volumes de cevada utilizada para o fabrico da cerveja.[59] A importação de cevada demonstra que Belém não era só importadora da bebida, pois, em 1870, existiam na cidade 4 fabricantes de cerveja, sinal de que não havia só importação.[60] Ainda tratando das bebidas havia o chá, cujo valor entre os anos 1857-1858 importou em 16.665.417 réis. Quase uma década depois, em 1869, o brigue Augustine trouxera 10 caixas e por cabotagem fora 27 caixas importadas de New-York.[61]

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[1] Professora de História da Escola de Aplicação da UFPA; Mestre em História Social da Amazônia/UFPA.

[2] Desde 1847 o Pará figura entre as cinco províncias do Império com maior rendimento comercial. As principais províncias entre 1847 e 1º semestre de 1851 eram: Rio de Janeiro com 29.535.890 $; Bahia com 9.757.477 $; Pernambuco com 9.472.871 $; Maranhão com 2.343.789 $ e o Pará com 1.290.942 $. Cf. dados em: Proposta e Relatório Apresentado pelo Ministro e Secretário d’Estado dos Negócios da Fazenda Joaquim Rodrigues Torres. Rio de Janeiro. Typ. Nacional. 1851.

[3] Cf. SARGES, Maria de Nazaré. Belém: riquezas produzindo a Belle Époque (1870-1912). Belém: Paka-Tatu,2000.

[4] Cf. COUTO, Cristiana Loureiro de Mendonça. Alimentação no Brasil e em Portugal no século XIX e o que os livros de cozinha revelam sobre as relações entre colônia e metrópole. São Paulo: PUC-SP, 2003, dissertação de mestrado, p. 68.

[5] Cf. ELIAS, Norbert. O Processo Civilizador. Uma História dos Costumes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.

[6] Cf. COUTO, op. cit., p. 68 e 69.

[7] Em 1870 continuava a existir um fabricante de chocolate em Belém. Cf. Relatório do Dr. Abel Graça, presidente da Província do Grão-Pará. Pará: Typ. do Diario do Gram-Pará, 1871, p. 33.

[8] Cf. SARGES, op. cit., p. 20.

[9] Ibid, Ibdem, nota 7, p. 21. Sobre a memória da Indústria Paraense Cf. MOURÃO, Leila. Memória da Indústria Paraense. Belém: FIEPA/SESI/SENAI/IDEPAR/IEL, 1989.

[10] Apud CRUZ, Ernesto. História da Associação Comercial do Pará. Belém: UFPA, 1996, p. 108.

[11] Cf. FRANCO, Afonso Arinos de Melo. Desenvolvimento da Civilização Material no Brasil. Rio de Janeiro: Topbooks, 2005, p. 146.

[12] Cf. SARGES, op. cit., p. 160.

[13] Burke ao delimitar a estrutura de uma elite o faz a partir de três pontos: status, poder e riqueza. Cf. BURKE, Peter. Veneza e Amsterdã um estudo das elites do século XVII. São Paulo: Editora Brasiliense, 1991, p. 24.

[14] Ainda sobre a elite paraense na economia e sociedade da borracha ver: CANCELA, Cristina Donza. Casamentos e Relações Familiares na economia da Borracha (Belém 1870-1920). São Paulo: Universidade de São Paulo, Programa de Pós- Graduação em História Econômica/ USP-SP, 2006, tese de doutorado, p. 27 e 28.

[15] Cf. Arquivo Público do Estado do Pará. Fundo: Secretária da Presidência da Província. Série: Ofícios do estabelecimento dos educandos do Pará. Ano: 1850-1853. Caixa 140.

[16] Sobre a questão, ver pedido de alguns fazendeiros e criadores de gado que solicitaram ao Presidente seu veto à medida que estipulava que na falta de carne verde, esta deveria ser concentrada nos talhos do mercado público para que todos tivessem oportunidade de comprá-la. No entanto, com o fim da escassez no dito ano de 1866, com grande oferta de carne verde, eles pediam que a carne pudesse voltar a ser espalhada pelos talhos ao longo da cidade, já que havia sobra de carne, pois as pessoas que não tinham condições de vir ao mercado todos os dias substituíam este gênero por carne salgada e/ou seca. No geral, eram as pessoas que moravam nos subúrbios que mais sofriam com tal medida. Cf. Arquivo Público do Estado do Pará. Fundo: Secretária da Presidência da Província. Série: Abaixo-assinados. Ano: 1860-1869. Caixa: 04.

[17] Cf. BATISTA, Luciana Marinho. Muito Além dos Seringais: Elites, Fortunas e Hierarquias no Grão-Pará, c.1850-c.1870. Rio de Janeiro: PPPHS/IFCH/UFRJ, 2004, dissertação de mestrado, p. 83.

[18] Apud BURKE, Peter. O que é história cultural. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005, p. 76 e 77.

[19] Cf. na Biblioteca Pública Arthur Vianna. Seção: Obras Raras. Fábrica Palmeira. Catalogo da Secção de Bolachas e Biscoitos. Pará. Brasil. Jorge Corrêa & Ca. não numerada. n: 017.681.1 (811.51). F 122 f.

[20] Ibid, Ibdem, nota 20.

[21] Ibid, Ibdem,nota 20.

[22] Cf.SANTOS, Roberto. História econômica da Amazônia (1800-1920). São Paulo: T. A. Queiroz, 1980.

[23] Deste valor ocupava o 1º lugar como fornecedora de mercadorias com 4.183:804$924 réis a Grã-Bretanha, em 2º lugar com os Estados Unidos com 1.265:414$890 réis, seguido de Portugal com 1.141:900$721, em 4º a França com 850:389$613 réis, no 5º lugar Alemanha com 3:281$531 e por último, a Espanha com 3:083$408. Cf. Relatório de Dr. José da Gama Malcher 1º Vice-Presidente. Em 9 de Março de 1878. Pará: Typ. Guttemberg, 1878, p. 124.

[24] Cf. Relatório do Presidente de Província em 1º de julho de 1873. Relatório de Presidente de Província em 15 de Fevereiro de 1877. Bem como: Relatório Dr. José da Gama Malcher, em março de 1878. E, Relatório do Presidente de Província José Coelho da Gama e Abreu, em 15 de fevereiro de 1880.

[25] Cf. Relatório do Exmo. Snr. Vice-Almirante Joaquim Raymundo De Lamare, em 6 de agosto de 1868. Pará: Typographia do Diario do Gram-Para, 1868, p. 29. Bem como: Fala do Coronel Manoel de Frias e Vasconcellos, em 1 de outubro de 1859. Pará: Typ. Commercial de A. J. R. Guimarães,1859.

[26] Cf. CRUZ, op. cit., p. 131.

[27] Ibid, Ibidem, nota 38.

[28] Cf. Monarchista Paraense, 29 de março de 1852, p. 3.

[29] Cf. Relatório lido na abertura da Assembléia Legislativa pelo Ex. Sr. Vice-Presidente da Província Ambrósio Leitão da Cunha. 15 de Agosto de 1858. Pará: Typ. Commercial de Antonio Jose Rabello, p. 32-33.

[30] Cf. COELHO, Geraldo Mártires. O violino de Ingres; leituras de história cultural. Belém: Paka-Tatu: 2005, p. 354.

[31] Apud VILHENA, Sandra Helena Ferreira. Belém: O Abastecimento de gêneros alimentícios, através das mercearias (1890-1900). Belém: Universidade Federal do Pará/Departamento de História e Antropologia, 1990, monografia de graduação em História, p. 19. A fonte citada pela autora é o jornal Diário de Notícias de 05-01-1893, p. 3.

[32] Cf. Fala Exm. Snr. Presidente de Província General Visconde de Maracajú. Em 7 de Janeiro de 1884. Pará: Typ. do Diário de Noticias, 1884, p. 26.

[33] Cf. Treze de Maio. Belém do Pará. 4 de Janeiro de 1856. N. 628, p. 4.

[34] Ibid, Ibdem, nota 39.

[35] Cf. DEBRET apud Arquivo Ernani Silva Bruni. Equipamentos da casa Brasileira usos e costumes. São Paulo: Museu da Casa Brasileira, cd-room.

[36] Cf. BATES, Henry Walter. Um Naturalista no rio Amazonas. (1850-1859). Vol. II. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1944, p. 395.

[37] Naquele ano, em relação ao imposto de indústria e profissões, a capital contava com 1.277 estabelecimentos, dos quais 1.055 estavam sujeitos a impostos e 222 isentos, sendo 394 nacionais e 883 estrangeiros. E ainda 82 eram da indústria mercantil com um valor lucrativo na importação de 349:842.5000 rs. Cf. Relatório do Presidente de Província Dr. Abel Graça. Pará: Typ. do Diario do Gram-Pará, 1871, p. 31/34.

[38] Cf. A Epocha. 3 de janeiro de 1859. N. 01 a 291. Anno II. Anúncios.

[39] Apud SANTOS, op. cit., p. 126.

[40] Cf. BATES, op. cit., p. 16.

[41] O sal geralmente vem especificado em unidades de móis, sendo que 1 moio equivale a 60 alqueires. Cf. http://br.geocities.com/jcc5002/unidadesantigas.htm.

[42] Cf. Epocha. Ano I. 9 de setembro & 14 de junho de 1858.

[43] Cf. Treze de Maio. 4 de Janeiro de 1856. N. 628, p. 4.

[44] Cf. Diário de Belém. 13 de agosto de 1868, p. 3, Anúncios.

[45] Cf. Arquivo Público do Estado do Pará. Fundo: Secretária da Presidência da Província. (Documentação Avulsa). Série: Abaixo-assinados. Ano: 1870-1879. Cx 05.

[46] Cf. Relatório Dr. Abel Graça. Pará. Pará: Typ. do Diario do Gram-Pará, 1871, p. 33.

[47] Cf. Gazeta Official. 12 de Maio de 1858. N. 3, p. 4.

[48] Cf. Gazeta Official. 14 de Maio de 1858. N. 3, p. 4.

[49] Cf. Diário de Belém. 13 agosto de 1868, p. 2.

[50] Cf. O Liberal do Pará. 16 de janeiro de 1869, p. 5.

[51] Cf. Diário de Noticias. 14 de janeiro de 1891, p. 1.

[52] Cf. AVÉ-LALLEMANT, Robert. Viagem pelo Norte do Brasil em 1859. Vol. I. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura/Instituto Nacional do Livro, 1961, p. 84-5.

[53] Cf. BATES, op. cit., p. 271.

[54] Apud SANTOS, op. cit., p. 126.

[55] Cf. Treze de Maio. 4 de Janeiro de 1856. N. 628, p. 4.

[56] Cf. Gazeta Official. 14 de Maio de 1858. N. 3, p. 4.

[57] Cf. Gazeta Official. 14 de Maio de 1858. N. 3, p. 4.

[58] Cf. LEAL, Maria Leonor Macedo Soares. A história da Gastronomia. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2007, p. 84/85.

[59] Cf. O Liberal do Pará. Janeiro de 1869, p. 5.

[60] Cf. Relatório Dr. Abel Graça. Pará: Typ. do Diário do Gram-Pará,1871, p. 33.

[61] Os valores do ano entre 1857-1858 foram obtidos em Relatório lido na abertura da Assembléia Legislativa pelo Ex. Sr. Vice-Presidente da Província Ambrósio Leitão da Cunha. 15 de Agosto de 1858. Pará: Typ. Commercial de Antonio Jose Rabello, 1858, p. 33. E os valores de 1869 foram retirados do jornal O Liberal do Pará. Janeiro de 1869, p. 5.